Tudo o que sabíamos sobre Júpiter pode estar errado

A nave espacial Juno revelou novas informações muito interessantes

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Esqueçam tudo o que sabiam acerca do gigante planeta de gás, porque com base nos últimos resultados da missão Juno, estávamos errados. São muitas e variadas as informações que chegaram da nave espacial Juno da NASA.  Os novos dados revelam o interior, a força do campo magnético e também a aparência dos polos de Júpiter. Obviamente que estas descobertas vão ter implicações para o nosso sistema solar e para estudar outros também.

Juno está em órbita à volta de Júpiter desde 4 de julho de 2016 e continua a completar uma órbita a cada 53,5 dias.

O que foi descoberto em Júpiter

No dia 27 de agosto de 2016, Juno mergulhou sobre os pólos de Júpiter e ficou a apenas 5.000 quilómetros dos topos das nuvens. Na prática esta foi a primeira nave espacial a observar esta região. Nos pólos o que parecia ser uma mistura de crateras resultantes de meteoritos, afinal não eram. Ao invés de crateras, são realmente ciclones muito fortes.

Júpiter

Segundo os investigadores esta foi a primeira vez que viram os pólos, e eles são completamente diferentes de tudo o que já tinham visto antes. No gigante de gás Saturno, por exemplo, seu pólo norte é dominado por uma grande tempestade hexagonal. Júpiter parece na realidade muito mais estranho.

“Os padrões de superfície encontrados perto dos pólos, são muito diferentes do que era esperado”, afirmou John Leif Jørgensen, da Universidade Técnica da Dinamarca, e co-investigador do instrumento Magnetômetro (MAG) da Juno, à IFLScience. “A distribuição [dos vórtices] surgiu como uma surpresa.”

Curiosamente, Juno também viu um ciclone maciço acima dos topos de nuvens de Júpiter. Abrangendo 7.000 quiómetros, a enorme nuvem foi vista no limite entre a noite e o dia. Este ciclone estava a erguer-se como um furação e lançava uma sombra sobre as nuvens. Isto foi sem dúvida uma enorme surpresa para os cientistas.

Em paralelo, existe também um campo magnético em Júpiter diferente de tudo o resto. Quando a nave espacial Juno utilizou o seu magnetómetro para medir a força do campo magnético e mapeá-lo em todo o planeta, atingiu 7.766 Gauss em alguns sítios, duas vezes mais forte do que se esperava e cerca de 10 vezes mais do que o nosso próprio campo magnético.

Terá Júpiter um núcleo sólido?

Um dos objetivos finais da nave espacial Juno é descobrir se Júpiter tem um núcleo sólido. Isto pode ter grandes implicações para as origens do nosso Sistema Solar. As teorias indicam que deve haver algo sólido no seu centro, mas não sabemos ao certo.

Para examinar o núcleo, Juno tem estudado o campo gravitacional de Júpiter. Embora ainda não existam dados suficientes para compreender completamente o que está a acontecer (vão ser necessárias pelo menos mais quatro órbitas), estamos a aproximar-nos de uma resposta.

Espera-se que Juno continue a sua missão científica em redor de Júpiter até julho de 2018. Certamente que vai valer a pena porque este planeta é ainda mais estranho e maravilhoso do que esperávamos.


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